A psicologia explica o comportamento da Karol Conká no Big Brother Brasil 21

A rapper Karol Conká está sendo alvo de muitas polêmicas na edição do BBB21. Baseado nisso podemos tomar as atitudes dela no reality como um estudo de caso para a psicologia, usando um olhar da psicologia sobre as atitudes da cantora dentro da casa.

Antes de mais nada, é importante lembrar que isso é apenas levantamento de hipóteses. Para uma avaliação psicológica completa precisamos de mais tempo de dados do que encontramos nos recortes editados do programa. Por isso, este trabalho não é um estudo sobre a Karol Conká como pessoa, mas apenas um estudo das possíveis explicações para as suas atitudes no Reality.

Histórico

Toda avaliação começa com histórico. O que sabemos sobre Karol Conká é que muitos fãs e pessoas que trabalharam com ela alegam que ela não é muito simpática, tem “ataques de estrelismo” e não dá muita atenção aos fãs. Embora essas informações não sejam comprovadas, para fins desse estudo hipotético vamos levar essas afirmativas como verdadeiras. Em especial, fui me basear no exposed do influenciador Laercio, que disse em vídeo que Karol Conká se recusou a ser apresentada em um evento pela modelo Nicole Bahls e disse que só subiria no palco se não fosse apresentada e ainda foi grosseira com as pessoas que queriam tirar foto com ela.

Outro ponto importante sobre o histórico da Karol Conká é o conteúdo de suas letras e as bandeiras que ela levanta em suas redes sociais. Ela se posiciona com bandeiras como direitos negros e feminismo, o que dá à ela uma percepção social positiva para a maior parte das pessoas. Não temos como julgar se os seus posicionamentos são genuínos ou pousados para marketing positivo, mas para fins desse estudo levaremos em consideração que ela acredita verdadeiramente nas bandeiras que defende.

Primeiras impressões

Tendo levantado o histórico observável da Karol Conká vamos examinar seus primeiros passos dentro da casa do Big Brother Brasil. A primeira coisa que me chamou a atenção no reality foi o choro copioso que a rapper teve ao ouvir a história de superação de Gilberto, outro participante da mesma edição. Embora a história tenha emocionado a todos que a ouviam, Karol Conká se destacou por chorar profundamente.

Esse choro pode revelar uma profunda identificação com o sentimento de fracasso, medo de não conquistar e certeza da derrota descrita na história de Gilberto. Isso pode indicar uma autoestima baixa e bastante insegurança sobre as suas conquistas. Isso ainda pode ser reforçado pelo histórico de “estrelismo” e de tratar fãs com desprezo.

Ao contrário do que muitos pensam, pessoas inseguras e com baixa autoestima que alcançam algum poder usam de soberba como mecanismo de defesa para mostrar aos outros e a si próprio que tem valor. Pessoas bem resolvidas consigo mesmas, não precisam mostrar que têm poder.

Outro ponto a se notar na situação do choro, é que ele parece exagerado e até um pouco forçado. Podemos levar em conta a situação de estresse enfrentado por pessoas que estejam sendo observadas e julgadas 24 horas por dia, o que pode explicar esse excesso. Mas, considerando que Karol Conká é uma pessoa pública e já está acostumada a ser observada, isso não deveria gerar tanta tensão nela. Assim, o choro pode ser um sinal de que Karol queria que o público visse que ela estava chorando e que isso gerasse empatia, por isso o choro foi tão intenso. Não estou dizendo que o choro era falso, mas que inconscientemente o choro pode ter sido intensificado para que ficasse claro o seu lado empático.

A primeira treta na qual Karol se envolveu foi um comentário preconceituoso com Juliette, por ser nordestina. Preconceituoso pela forma com a qual a Karol se valoriza por ser de Curitiba (PR), colocando sua cidade natal acima de outras, em especial Campina Grande (PB), cidade de Juliette.

Agressão a Lucas Penteado

Agora vamos nos aprofundar na polêmica central que envolve Karol Conká e o ator Lucas Penteado. Após Lucas falar algumas bobagens e tentar formar uma panelinha, todos os participantes reprovaram suas atitudes. Não vou me aprofundar nessa questão, pois para essa análise o motivo da Karol ter tornado Lucas alvo não faz diferença. Ele ou qualquer outro poderá se tornar alvo de bullying a qualquer momento por qualquer razão. O bullying não é provocado por quem sofre, mas sim instigado por que faz.

Karol Conká aproveitou o clima negativo da casa com Lucas Penteado para se impor como líder e começou a perseguir o ator, sendo grosseira, verbalmente agressiva e persistentemente implicante com Lucas, fazendo questão de mostrar seu desprezo e de excluir o rapaz. Esse seu posicionamento fez com que ela ganhasse destaque dentro da casa, o que fomentou ainda mais as suas atitudes. Caso não tenha ficado claro, repito e reafirmo: o que Karol Conká fez foi sim bullying.

Hipóteses psicológicas

Essas atitudes de Karol podem ser explicados como sendo o mecanismo de defesa que, muitas vezes, pessoas inseguras usam. Trata-se de menosprezar o outro para se sentir superior, não por suas ações, mas na comparação com aquele que ela diminui. Como Karol Conká ganhou destaque com essas atitudes, reforçou o inconsciente dela sobre o fato de acreditar que ela é melhor ao mostrar o quão pior os outros são. Isso gera no inseguro um lugar de conforto e prazer, substituindo a dor da própria insegurança pelo poder de causar mal ou outro.

Outra hipótese interessante a ser levantada é que Karol pode ver Lucas como seu inimigo, usando os erros dele como desculpa para justificar suas atitudes. Por ser acostumada com polêmicas envolvendo posicionamento político, ela pode ter desenvolvido um radicalismo muito comum em militantes que tendem a ver todos que não concordam com suas pautas como inimigos, como pessoas ruins, incapacitadas e inferiores. O cenário político da última década tem enfatizando essas características: cada vez menos diálogo e empatia e mais imposição e ofensas.

É uma característica da modernidade as pessoas que vivem em bolhas ideológicas e só conversam e ouvem aqueles que concordam com suas ideais. Assim, as vezes que Karol Conká excluiu, ofendeu ou foi grosseira com alguém que falou algo com a qual ela não concorda, aqueles que a seguem tendem a concordar com seus posicionamentos, aplaudindo e elogiando suas atitudes. A maior demonstração desse radicalismo intransigente são os cancelamentos cada vez mais comuns. Sendo assim, em isolamento, Karol Conká deve imaginar que Lucas está sendo visto como inimigo por quem assiste o programa e, sem feedback sobre o momento que deve parar e sem nenhuma polêmica maior para ela se posicionar, ela continuou perseguindo o rapaz com a certeza da aprovação externa. Posso falar mais sobre esse radicalismo em outra publicação se vocês pedirem nos comentários.

Embora muitas pessoas vejam a atitude de Karol Conká com um participante negro como um exemplo de que ela não seja realmente contra o racismo, na verdade, isso prova exatamente o oposto. Isso porque as bandeiras minoritárias não defendem pessoas, e sim ideias. Ou seja, a luta antirracista não é contra brancos e a favor de negros, mas sim contra pensamentos de superioridade de brancos para com negros. Também é a favor de políticas e estruturas de poder que equiparem socialmente, a nível ideológico, negros e brancos. Isso vale para qualquer bandeira. Elas são ideológicas e não individualistas. Não pensam no sujeito, mas no pensamento que constrói a sociedade e assim as leis, as relações etc.

Sendo assim, Karol Conká não vê Lucas Penteado como aliado, não por sua raça, mas por ter apresentado ideias contrárias ao que ela acredita e desejaria de um parceiro dentro do jogo. Não sendo um aliado ideológico, se torna inimigo. Normalmente, se opor a ideias que as outras pessoas do grupo também discordam gera uma visão positiva da pessoa. Por esse motivo, Karol segue com suas atitudes de oposição sendo reforçadas a cada vez que humilha Lucas. E quanto mais isso acontece, mais as pessoas da casa se afastam mais dele. Lembrando que na edição passada alguns homens se uniram contra as mulheres e quem se posicionou contra os homens saiu com uma imagem positiva

É importante pontuar que nem todo militante é radical e vê os outros como inimigos e que isso não invalida as razões justas pelas quais lutam. Se trata apenas da relação dessas pessoas com os outros e não desqualifica a pessoa e nem as causas.

Big Brother e o Experimento de Stanford

Quanto aos outros participantes, eles reforçam a atitude de Karol Conká. Isso é normal que aconteça em grupos fechados onde há bullying, pois ao se criar uma situação de atrito, se desenvolve automaticamente dois lados: agredidos e agressores. Instintivamente apoiamos o agressor, pois se não pertencemos a esse grupo viramos automaticamente potenciais agredidos.

Pensem bem no que aconteceria se alguém resolvesse defender o Lucas? Quais as chances de ser excluído também? Esse ato, por ser instintivo, não é racional, ou seja, não significa que as pessoas concordam com as atitudes da Karol, só que veem nela alguém com quem não desejam brigar, já que ela se impôs como alguém de forma especialmente cruel. Embora outros participantes não tenham concordado com as atitudes de Karol Conká, ninguém se colocou ativamente contrário a força de autoridade e domínio que hoje ela exerce na casa.

Podemos comparar a experiência do BBB21 com o teste social e psicológico desenvolvido em 1971 pela universidade de Stanford, nos EUA. Nesse experimento, foi simulado uma cadeia com os participantes divididos em dois grupos, os prisioneiros e os carcereiros. Os prisioneiros teriam que obedecer e não tinham meios de se defender, já os carcereiros não tinham regras sobre a sua atuação e deviam apenas “manter a ordem” na prisão. O experimento foi planejado para durar duas semanas, mas foi encerrado no sexto dia, diante da tamanha violência exercida pelos carcereiros com os prisioneiros.

O experimento de 1971 e a edição 2021 do BBB têm muitas características em comum:

  • Isolamento do mundo externo
  • Grupos de oposição
  • Violência
  • Acuação
  • Sentimento de superioridade

Em ambos os casos as pessoas envolvidas não tinham contato com o mundo externo, ou seja, durante aquele período de tempo a realidade deles era aquele pequeno grupo de pessoas. Ao separar carcereiros e prisioneiros, definiu-se um grupo de poder e um grupo de obediência. O mesmo aconteceu na casa, sendo que só Lucas estava em oposição. Como consequência da formação de dois grupos em oposição, a violência e acuação foram ferramentas naturais de imposição daqueles que queriam demonstrar poder, reforçando o sentimento de superioridade.

A maior diferença entre os dois casos é que no BBB21 existem milhares de pessoas assistindo e julgando os participantes, o que pode impactar na redução da violência na casa em relação ao experimento, além da regra do BBB que impede agressão física.

Se vocês quiserem entender melhor o experimento de Stanford, deixe nos comentários.

Conclusão

Por fim, Lucas Penteado desistiu da sua participação no programa e logo Karol Conká arrumou uma briga com a atriz Carla Diaz. Isso reforça a hipótese de que Karol usa a violência para se impor na casa e tomar a liderança. Sem Lucas, ela instintivamente irá procurar outras pessoas para diminuir, pois é o seu recurso para se sentir superior.

No caso da Carla, ela representa alguém mais fraca, sobre quem Karol pode se impor, além de que Carla pode ameaçar o romance dela com Arcrebiano. Isso já envolve, além da questão do Ego, a relação com o jogo, pois fazer casal é uma velha estratégia do BBB.

Por falar em Arcrebiano, a maneira como ela se impõe para ele, o acuando a não dizer não para ela é bastante abusivo. Portanto, isso é uma análise para outro post, se você quiser saber mais sobre isso, deixe nos comentários.

Lembrando novamente que essa não é uma avaliação psicológica. São apenas levantamentos baseados em informação dispersas, não comprovadas ou retiradas de situações atípicas e de pressão. Entender o perfil psicológico não é julgamento de caráter, é apenas um exercício de compreensão de determinadas atitudes.

Gostou do conteúdo? Quer mais conteúdo assim? Deixe nos comentários sobre quem você deseja que eu faça uma análise psicológica.

Texto por Luisa Baroni

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